Entre ideologia e sobrevivência política: a trajetória de Luizão Goulart

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A aspiração política de Luizão Goulart pelo comando do Executivo de Pinhais começou a se formar muito antes de sua eleição como prefeito pelo PT, partido ao qual permaneceu filiado por cerca de trinta anos. Sua militância teve início em meados da década de 1980, quando participava de grupos de jovens da Igreja Católica e de movimentos sociais locais, como associações de moradores.
Desde cedo, tinha o projeto de disputar a prefeitura da cidade. Esse objetivo foi sendo construído gradualmente, com o apoio de militantes e correligionários que organizavam campanhas eleitorais simples e persistentes — verdadeiras campanhas “à base de pão e água”. Não era tarefa fácil: a direita pinhaense possuía forte presença e ampla aceitação junto à opinião pública local.
A primeira conquista eleitoral veio em 1996, quando Luizão foi eleito vereador pelo PT. Em 2000, conquistou a reeleição. Durante esse período, ocupou a vice-presidência da Câmara Municipal e, entre 2001 e 2002, presidiu o Legislativo de Pinhais, justamente durante a gestão de seu principal adversário político, o então prefeito Luís Cassiano de Castro Fernandes.
A conjuntura política começou a mudar com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002. A ascensão do PT ao governo federal fortaleceu o partido em diversas regiões do país e abriu novas possibilidades políticas também em Pinhais. Após anos de construção política local, o projeto petista finalmente se concretizou em 2008, quando Luizão venceu as eleições para prefeito. Quatro anos depois, em 2012, foi reeleito.
Antes disso, Luizão havia disputado as eleições estaduais de 2006 para a Assembleia Legislativa do Paraná, ficando na primeira suplência. Em 2007 assumiu o mandato quando o deputado Enio Verri se licenciou para integrar o governo Roberto Requião como secretário de Planejamento.
Mesmo exercendo o mandato de deputado, manteve o foco na política local e intensificou a articulação de alianças visando as eleições municipais de 2008.
A vitória naquele pleito contou com uma ampla coalizão partidária. A escolha da vereadora Marli Paulino, do PDT, como candidata a vice-prefeita foi resultado de intensa negociação política e acabou sendo considerada, à época, o fator decisivo para equilibrar a disputa eleitoral.
O primeiro mandato de Luizão como prefeito (2009–2012) coincidiu com um período de crescimento econômico nacional durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Esse contexto favoreceu a execução de políticas públicas e investimentos em infraestrutura no município, além de estimular a instalação de empresas, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social de Pinhais.
Na eleição de 2012, Luizão manteve Marli Paulino como vice e conquistou uma vitória expressiva. Beneficiado também pelo cenário econômico favorável do país — marcado pelo pleno emprego e aumento da renda — sua administração alcançou índices de aprovação de 94,7%.
Após três décadas de militância no PT, Luizão decidiu deixar o partido em 2017. Alegou que dentro da legenda não encontrava espaço político para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições seguintes.
Filiou-se então ao PRB, atual Republicanos, legenda ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. Nas eleições de 2018 foi eleito deputado federal com 141 mil votos. Posteriormente migrou para o Solidariedade (SD), após articulação política com o deputado Paulinho da Força, assumindo a presidência estadual da sigla no Paraná.
Na eleição de 2022, apesar de receber pouco mais de 96 mil votos, não conseguiu a reeleição, pois o Solidariedade não atingiu o quociente eleitoral. Posteriormente perdeu o controle do partido no estado para o ex-deputado federal Fernando Francischini.
Mais uma vez mudou de legenda, filiando-se ao PSD, partido do governador Ratinho Junior. Atualmente ocupa o cargo de secretário da Administração e da Previdência do Paraná. No entanto, tudo indica que deverá deixar a função — exercida desde março de 2025 até o início de abril, prazo legal para desincompatibilização, para tentar retornar à Câmara dos Deputados nas próximas eleições.
O PSD do Paraná enfrenta um momento delicado às vésperas das eleições de outubro. A indefinição do governador Ratinho Jr sobre o nome para sua sucessão, somada à saída de Rafael Greca (que migrou para o MDB) e a possível debandada de Alexandre Curi para o Republicanos, pode impactar diretamente a escolha dos eleitores tanto para o legislativo estadual como para o federal caso alguns deputados resolvam migrar para outras siglas.
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