Silêncio de Ratinho Jr, crise no PL e reviravolta de Moro agitam a corrida pelo governo do Paraná

0
132

Com o objetivo de preservar a unidade da base governista e garantir a continuidade do projeto político iniciado em seu governo, o governador Ratinho Junior ainda não divulgou a escolha do nome que deverá representar seu grupo na disputa pelo Palácio Iguaçu. A decisão, no entanto, avança em ritmo lento e cercada de absoluto sigilo, alimentando especulações nos bastidores da política paranaense e mantendo o mistério em torno de quem será, de fato, o candidato oficial do grupo governista.

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), mantém sob absoluto sigilo a definição sobre quem será o candidato de seu grupo político para sucedê-lo no Palácio Iguaçu. A decisão tem sido tratada a “sete chaves”, o que alimenta especulações tanto nos bastidores do poder quanto entre analistas políticos. Não está claro se o silêncio do governador decorre de uma indefinição real dentro da base governista ou se faz parte de uma estratégia cuidadosamente calculada para testar nomes, medir a reação da opinião pública e, somente no momento oportuno, apresentar um candidato que reúna condições políticas e eleitorais de vitória.

O cálculo político é compreensível. Ratinho Jr é hoje uma das principais lideranças da direita moderada no país e figura frequentemente citada em cenários futuros para a disputa presidencial, especialmente para as eleições de 2030. Nesse contexto, a escolha de um sucessor competitivo no Paraná não é apenas uma questão local: trata-se de preservar o capital político construído ao longo de dois mandatos. Caso o nome escolhido por ele seja derrotado nas urnas, isso poderia enfraquecer sua projeção nacional e reduzir sua capacidade de articulação no tabuleiro político brasileiro.

Nos bastidores do grupo governista, um dos nomes mais mencionados é o do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, atualmente filiado ao PSD. Experiente, com trânsito consolidado entre diferentes correntes políticas e forte articulação no interior do estado, Curi é visto por aliados como um nome capaz de manter a unidade da base governista. Há ainda especulações de que ele poderia migrar para o Republicanos, movimento que ampliaria sua base de alianças e poderia facilitar a construção de uma candidatura mais robusta.

Outro nome que aparece nas conversas de bastidores é o do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também filiado ao Partido Social Democrático. Jovem politicamente, mas com trajetória administrativa e forte presença na capital, Pimentel poderia representar uma aposta em renovação dentro do grupo governista. No entanto, há um dilema evidente: ele estaria disposto a deixar a prefeitura da capital paranaense para disputar o governo do estado?

Caso essa hipótese se concretizasse, a sucessão municipal em Curitiba também provocaria impactos políticos significativos. O vice-prefeito, Paulo Martins, hoje filiado ao Partido Novo, assumiria o comando da cidade. Martins é identificado com o bolsonarismo mais ideológico e já circulam rumores de que poderia migrar para o PSD, numa movimentação que reforçaria o alinhamento político com o grupo do governador.

Esse possível rearranjo não seria exatamente uma surpresa. Ao longo de sua trajetória política, Ratinho Jr manteve proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente durante o período em que Bolsonaro esteve à frente do governo federal. Essa convergência política ajudou a consolidar parte da base eleitoral conservadora que sustenta o atual governo paranaense.

Enquanto o anúncio oficial não acontece, o silêncio estratégico do governador mantém o cenário político em suspense. Nos bastidores, partidos, lideranças regionais e grupos de interesse aguardam o sinal verde para reorganizar alianças e definir seus movimentos. Até lá, o jogo político segue aberto — e cada gesto, cada reunião e cada rumor alimenta a disputa que começa a se desenhar para a sucessão no Paraná.

Rafael Greca, nome com capital político invejável, deixou o PSD e se filiou ao MDB, reposicionando-se no tabuleiro eleitoral paranaense. Ex-prefeito de Curitiba por três mandatos e figura conhecida do eleitorado da capital e da Região Metropolitana, Greca já manifestou publicamente o desejo de disputar o governo do estado. Sua entrada na corrida amplia o leque de possibilidades e adiciona um componente relevante ao cenário sucessório, sobretudo pela capacidade de mobilização eleitoral que mantém em Curitiba, principal colégio eleitoral do Paraná.

Sergio Moro, por sua vez, também surge como um dos nomes mais competitivos para a disputa ao Palácio Iguaçu. O senador trocou recentemente o União Brasil pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, movimento que provocou forte turbulência interna. A mudança desencadeou uma crise política no partido no Paraná: quase cinquenta prefeitos deixaram o PL após a confirmação da filiação de Moro, evidenciando o impacto da reorganização partidária e as disputas internas por espaço e liderança.

A trajetória política de Moro com Bolsonaro, no entanto, foi marcada por intensos conflitos. Após as eleições de 2018, o ex-juiz da Operação Lava Jato assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo federal. A relação entre ambos deteriorou-se rapidamente e tornou-se pública em 2020, quando Moro deixou o cargo acusando o então presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para proteger familiares e aliados. A ruptura foi acompanhada de trocas duras de acusações e críticas públicas.

Em abril de 2022, Moro chegou a afirmar em suas redes sociais que Bolsonaro “mente” sobre diversos temas e que suas declarações não deveriam ser levadas a sério. Entre os pontos citados estavam críticas ao comportamento do ex-presidente em relação ao Centrão, à condução da política de vacinas durante a pandemia e a ataques dirigidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao então diretor-presidente do órgão, Antonio Barra Torres, e agora a mim. Link do G!

O cenário atual, entretanto, revela uma reconfiguração política significativa. Hoje, Moro divide o mesmo espaço partidário no PL com lideranças diretamente ligadas ao bolsonarismo, entre elas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No Paraná, ambos atuam na construção e organização do partido, apesar das críticas duras que marcaram o passado recente.

Agora Moro está de braços a abraços com Flavio Bolsonaro (PL-RJ) compondo o partido no estado do Paraná, justamente com aquele que teceu acidas críticas contra sua honra. Link da Carta Capital

Essa aproximação evidencia como, no ambiente político brasileiro, antagonismos de ontem podem dar lugar a alianças pragmáticas quando o objetivo comum passa a ser a disputa pelo poder.

Para a corrida ao Palácio Iguaçu, outro nome que surge no cenário com bom capital eleitoral é o do deputado estadual Requião Filho (PDT). Com atuação destacada na Assembleia Legislativa do Paraná, o parlamentar tem se projetado como uma das vozes mais ativas na defesa de políticas públicas e do papel do Estado em setores estratégicos. Em diversos momentos, posicionou-se de forma firme contra processos de privatização no estado, especialmente em relação a empresas como a Copel e a Celepar, o que lhe garantiu visibilidade política e apoio entre setores que defendem a preservação do patrimônio público paranaense.

 

 

 

Deixe seu comentário